Predador

Os caminhos da vida são misteriosos
e nós apenas pontos nessa imensidão
Azul, azul, azul e branca
como um vestido de verão

O dia parece que não começou
e já se foi mais da metade
Caio feito madeira cortada
na cama ainda desarrumada

Bem fundo nas torres de marfim
a água quente da estação
toca-me os tornozelos
criaturas de cristal
chamam-me para um passeio

Nado, nado, nado
e então, você chega
para me lembrar
que não sei nadar

Abro os olhos
o teto branco me encara
Fecho-os
a sereia ainda sorri

o telefone toca
ignoro para ver se passa
mas ele não se aflinge

Eu estou do outro lado do mundo
Sou pura, instável e paralela
e você tenta me cortar

Posso ser apenas ossos e palavras
mas sou verdadeira demais
para seus músculos de cientista

A doença me sobe a boca
rodopiando com meus nervos
desejo que se contagie

Mas você continua buscando a fórmula
para minhas palavras disformes
Eu só quero permanecer horizontal

O gato conhece a língua dos pássaros

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