“A woman who writes feels too much”

Eu não escrevo
sou muda pelos dedos
escorro na folha branca
só mancho
vazo palavras pelas pernas

lambuzo-me
saio

CAM-BA-LE-AN-TE

Sou o murmúrio do artesão.

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Purgarção 1801

– Não pude ser sincera
 seria como dizer que os meninos
 não podem apreender o Sol
 E como eles não poderiam
 os Filhos de Deus
 Feitos à imagem e semelhança
 com suas peles brancas
 mãos pesadas
 sorrisos constantes
 cabelos claros
 corpos pesados
 Sobre o ventre da humanidade
 em contraponto da vontade
 flagelando as paredes
 louvando a si próprios
 amaldiçoando a espúria
 nudez inassimilável
 da mulher

Crianças-Sóis
 nunca encarando a si mesmos
 jamais a si mesmos

– Não pude ser sincera
 e negar a força do encontro

deixei que me queimasse
 e sorri enquanto ardia.